A demolição do único parque infantil público da vila de Omuíne, na província de Inhambane, está a gerar indignação entre os moradores, que contestam a decisão das autoridades municipais e defendem a preservação do espaço para as crianças.
Construído ainda no período colonial, o parque foi durante décadas um dos principais locais de lazer infantil na vila. Apesar do avançado estado de degradação e dos apelos da população para a sua reabilitação, o espaço acabou por ser demolido.
No local, a reportagem encontrou entulho e restos das antigas estruturas. Algumas crianças ainda tentavam aproveitar os poucos brinquedos que permaneceram no espaço.
Para os mais novos, a destruição do parque significa ficar sem um lugar onde brincar.
“Eu vim aqui um dia para brincar e depois vi que estava destruído”, contou uma das crianças. Questionada sobre onde passaria a brincar, respondeu que já não tinha outro local para fazê-lo.
Durante anos, o espaço foi frequentado por crianças, sobretudo aos fins de semana e feriados. Entre as atividades estavam jogos de futebol, baloiços e escorregas.
A demolição também está a preocupar pais, encarregados de educação e outros residentes, que dizem não compreender a decisão de retirar um espaço destinado ao lazer infantil.
Alguns moradores afirmam que o local poderá ser utilizado para a construção de estabelecimentos comerciais, incluindo um possível supermercado. A informação, no entanto, não foi oficialmente esclarecida pelas autoridades municipais contactadas pela reportagem.
“Não queremos loja aqui. Aqui não queremos loja. O que queremos é que reabilitem o parque das crianças para elas terem onde se divertir”, defendeu um dos moradores.
Outro residente recordou que frequentou a zona desde a década de 1990 e considera que existem outros espaços que poderiam ser utilizados para atividades comerciais sem eliminar o parque infantil.
Os moradores questionam ainda a escolha daquele espaço, tendo em conta a proximidade de uma escola, do Serviço Distrital de Educação e de outras instituições públicas.
A equipa de reportagem tentou obter esclarecimentos junto das autoridades municipais sobre a demolição e o futuro do terreno, mas não conseguiu estabelecer contacto.
Segundo informações recolhidas pela reportagem, o espaço terá sido atribuído a um investidor de origem chinesa para a construção de um supermercado, com uma exploração prevista por um período de 30 anos. A mesma informação indica que um novo parque infantil poderá ser construído noutro local.
Enquanto aguardam por esclarecimentos oficiais, os moradores continuam a contestar a demolição e pedem que seja encontrada uma alternativa que garanta às crianças da vila um espaço adequado para lazer e recreação.


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